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FomentaCine 2026 e o Desenho Universal: como Brasília lidera o debate de acessibilidade no cinema

  • Bárbara Haveroth
  • 18 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Por muitos anos, a acessibilidade no audiovisual foi tratada como uma etapa final da produção.


Primeiro o filme era criado, depois alguém pensava em audiodescrição, legendas descritivas ou tradução em LIBRAS. No FomentaCine 2026, realizado no Cine Brasília, essa lógica foi colocada em xeque. O evento transformou a acessibilidade em um dos temas centrais de discussão e reforçou uma nova visão para o setor: a inclusão precisa nascer junto com a obra, desde as primeiras linhas do roteiro.


A terceira edição do mercado-seminário reuniu produtores, realizadores, distribuidores, exibidores e especialistas para discutir caminhos mais inclusivos para o audiovisual brasileiro. Um dos momentos mais importantes da programação foi o lançamento do Guia de Boas Práticas de Acessibilidade em Cinema, desenvolvido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O documento reúne orientações para toda a cadeia produtiva, desde a concepção dos projetos até a experiência do público dentro das salas de exibição.


O conceito que dominou os debates foi o de Desenho Universal, uma abordagem que propõe criar produtos, serviços e experiências acessíveis para o maior número possível de pessoas desde sua origem, evitando adaptações posteriores. Na prática, isso significa pensar em recursos como audiodescrição, LIBRAS e legendagem descritiva ainda durante o desenvolvimento do roteiro, planejamento de produção e elaboração do orçamento.


Segundo especialistas que participaram do seminário, a acessibilidade não deve ser encarada como um complemento ou uma obrigação burocrática. A proposta defendida durante o FomentaCine é que ela faça parte das próprias decisões criativas e narrativas dos projetos. Essa mudança de mentalidade pode reduzir custos futuros, ampliar o alcance das obras e garantir que pessoas com deficiência tenham acesso à cultura com mais autonomia.


Brasília tem ocupado uma posição de destaque nessa discussão. O Cine Brasília, anfitrião do evento, já desenvolve ações contínuas voltadas à inclusão, como sessões acessíveis e iniciativas voltadas a diferentes públicos. Durante o FomentaCine, a instituição reforçou seu compromisso em tratar a acessibilidade não apenas como uma questão técnica, mas como um princípio de gestão e programação cultural.


Essa postura começa a influenciar também produtoras e realizadores do Distrito Federal. Em vez de inserir recursos acessíveis apenas na finalização das obras, cresce o número de profissionais que já consideram essas necessidades durante o desenvolvimento dos projetos. O resultado é um audiovisual mais preparado para atender diferentes públicos e mais alinhado às exigências contemporâneas de inclusão e diversidade. Essa é justamente uma das principais diretrizes defendidas pelo novo guia lançado durante o evento.


Outro ponto debatido foi que a acessibilidade vai muito além do conteúdo exibido na tela. O guia também aborda a chamada "jornada do espectador", incluindo divulgação, compra de ingressos, circulação nos espaços e acesso às informações sobre as sessões. A ideia é eliminar barreiras em todas as etapas da experiência cinematográfica.


A discussão chega em um momento importante para o setor. Desde 2023, recursos como audiodescrição, legendagem descritiva e LIBRAS já são exigidos em sessões comerciais de cinema. Agora, o desafio passa a ser não apenas cumprir a legislação, mas incorporar a acessibilidade como parte da cultura de produção audiovisual.


Ao colocar a acessibilidade no centro do debate, o FomentaCine 2026 mostrou que Brasília não está apenas acompanhando uma tendência nacional. A capital vem ajudando a construir novos parâmetros para o cinema brasileiro, defendendo um modelo em que inclusão não seja um recurso adicional, mas um elemento presente desde a origem de cada projeto audiovisual.

 
 
 

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